Em defesa do direito à greve

Mantém-se luta na <em>Transtejo</em>

A administração teve uma resposta firme dos sindicatos, depois de colocar segunda-feira um barco da Soflusa a fazer uma carreira que a Transtejo não pôde assegurar.

Se não lutarem agora, os trabalhadores sofrerão perdas ainda mais graves

Os trabalhadores da Transtejo fizeram um balanço «muito positivo» e valorizaram a adesão «elevadíssima» à greve ao trabalho extraordinário, iniciada a 23 de Julho. Em plenário, realizado dia 1, em Cacilhas, ficou decidido prosseguir a luta, nos mesmos moldes, por tempo indeterminado – informaram os sindicatos com representação na transportadora fluvial, num comunicado conjunto em que apontam algumas «consequências visíveis» da recusa de horas extra: foram suprimidas duas carreiras, a 27 e 30 de Julho, e estão atrasados os trabalhos de manutenção de três navios, que continuam imobilizados.
«Sabíamos que uma greve ao trabalho extraordinário não teria consequências visíveis imediatas, sabíamos que as consequências apareceriam com o decorrer do tempo, sabíamos que esta vai ser uma luta longa, mas sabemos que, se mantivermos a unidade, alcançaremos os nossos objectivos», salientam os sindicatos. No comunicado, sublinhando o apelo à participação de todos na luta, realça-se o facto de esta ser «uma luta para não perder o direito à greve», «uma luta de unidade, para que os trabalhadores da Transtejo possam continuar a poder lutar pelos seus direitos e pelas suas justas reivindicações, quando da revisão do AE».
Dando conta da preocupação de alguns trabalhadores, que vêem os seus rendimentos mensais diminuídos, por não contarem com horas extraordinárias, os sindicatos alertam que «todos, sem excepção, têm de saber que, se agora deixarem de lutar, muito brevemente vão perder bem mais, monetariamente, profissionalmente e humanamente», evocando, a propósito, «os aumentos miseráveis» que os salários tiveram nos anos em que os trabalhadores não estiveram unidos.
A luta, como noticiámos, tem por objectivo exigir que a administração retire as faltas injustificadas e reponha os prémios de assiduidade, recuando nas retaliações contra os trabalhadores requisitados para «serviços mínimos», na greve geral de 30 de Maio (que teve adesão total na Transtejo).

Reincidência

Os sindicatos dos trabalhadores do sector fluvial entregaram segunda-feira um pré-aviso de greve, abrangendo a Transtejo e a Soflusa, com início no dia 23 de Agosto e por tempo indeterminado, respondendo assim a uma nova manobra contra a lei da greve, perpetrada pela administração (única) das duas empresas.
De manhã, na ligação fluvial entre o Seixal e Lisboa, que é assegurada pela Transtejo, foi chamado um navio da Soflusa, para fazer o serviço de uma carreira em falta. Os sindicatos consideraram esta medida como uma violação da lei da greve, e decidiram avançar com a marcação da greve nas duas empresas do mesmo grupo. Para anteontem, ao final da tarde, a administração convocou uma reunião com os representantes dos trabalhadores, a fim de analisar esta situação.

Comunistas solidários contra ofensiva

Para expressar solidariedade com a luta dos trabalhadores da Transtejo e saudar a unidade de que têm dado provas, tanto na greve geral, como nesta greve às horas extraordinárias, uma delegação da Direcção da Organização Regional do Setúbal do PCP encontrou-se anteontem à tarde com a Comissão de Trabalhadores da transportadora. «Na nossa opinião, existe uma acção concertada entre as empresas de transportes, que origina a maior ofensiva desde o 25 de Abril contra o direito à greve», disse Jorge Amorim, da DORS, à Lusa, pouco antes da reunião. Lembrou que os trabalhadores das empresas de transportes estão cada vez mais condicionados no exercício do direito à greve, por via de serviços mínimos que estão perto do máximo. Referiu, a propósito, que também trabalhadores do sector ferroviário, que fizeram greve a 30 de Maio, estão com processos disciplinares.
Jorge Amorim adiantou que a DORS pretende realizar mais encontros e acções de solidariedade com os trabalhadores de outras empresas de transportes.
«O que está em causa nos serviços mínimos e na injustificação da falta é o próprio direito à greve», reafirmou Margarida Botelho, da Comissão Política do Partido e responsável da DORS, num breve comentário ao Avante! após o encontro com a CT da Transtejo. Lembrou que, no dia da greve geral, 80 por cento dos trabalhadores foram convocados para cumprimento dos serviços mínimos e, congratulando-se com o elevado nível de adesão à luta desencadeada a 23 de Julho, em todos os sectores, destacou o facto de se verificar adesão total na manutenção, apesar de nenhum trabalhador desta área ter falta injustificada em consequência da greve geral.


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